Governo do Distrito Federal
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1/07/23 às 8h00 - Atualizado em 30/06/23 às 14h44

Colação de Grau da Etesb é marcada pela emoção de concluir curso técnico após a pandemia

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O momento foi acompanhado por autoridades, docentes e familiares de alunos

 

Natalia Oliveira, da Fepecs

 

A turma de técnicos de enfermagem da Escola Técnica de Saúde de Brasília (Etesb), que teve início em maio de 2021, e enfrentou uma pandemia durante o percurso, chegou ao fim da trajetória acadêmica nessa sexta-feira (30), com 13 pessoas obstinadas e determinadas a serem profissionais de excelência, dispostas a se doarem e cuidarem de seus pacientes com amor. A colação de grau desses alunos é o desfecho de uma história bem sucedida, fruto de muita persistência, aprendizados e resiliência.

 

Fundada na década de 1960, no início da construção da capital, a Etesb tinha como objetivo suprir a necessidade de formar profissionais de saúde que cuidassem, principalmente, dos pioneiros que firmaram residência aqui. Com a inexistência de concurso público à época, a maneira mais simples de recrutar pessoas era oferecendo um curso de capacitação com qualidade e de forma gratuita.

 

Hoje, com 63 anos de existência, a Escola passou, ao longo do tempo, por diversas atualizações na formação de profissionais, realizou adequações visando atender a grande procura, e ampliou a oferta de cursos para que mais pessoas pudessem ter a chance de obter uma certificação técnica e se colocar no mercado de trabalho, especialmente na rede pública de saúde do DF.

 

Assim que foi fundada, a Etesb não possuía o curso técnico, formava apenas auxiliares. De lá para cá, a escola capacitou cerca de 6.500 profissionais entre auxiliares, técnicos e pós-técnicos. Em 2004, quando a grade curricular abriu espaço, teve início o curso de técnico de enfermagem e, desde então, 973 profissionais foram formados.

 

Atualmente, a Etesb faz parte da estrutura da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs), que é vinculada à Secretaria de Saúde (SES), por isso, o desenvolvimento dos profissionais é voltado para a rede pública, onde os alunos conseguem atuar nos cenários dos hospitais do DF, aprendendo in loco.

 

O curso técnico de enfermagem disponibiliza ferramentas no processo de ensino e aprendizagem, que são favoráveis à formação de um profissional competente, capaz de prestar assistência com qualidade e segurança ao indivíduo, à família e à comunidade que busca atendimento na Atenção Primária e hospitalar do Sistema Único de Saúde (SUS) distrital.

Na instituição, docentes e discentes contribuem com a saúde pública, levando o aprimoramento de fundamentação teórica para as práticas do serviço de saúde, oferecendo assistência peculiar ao paciente institucionalizado.

 

A diretora-executiva da Fepecs, Inocência Rocha Fernandes, lembra que “essa é uma escola oriunda do SUS para o SUS”. Segundo ela, os alunos “têm uma experiência única de contato direto com a rede pública de saúde do DF”.

 

Emocionada, a gestora ressalta que “a pandemia nos mostrou a importância desses profissionais, especialmente o técnico de enfermagem, que esteve no dia a dia, no beira leito, cuidando e se doando às pessoas. Agora, com muita alegria estamos conseguindo formar essa turma de 13 alunos, que eu costumo dizer que são verdadeiros vencedores, pois conseguiram superar as adversidades ao longo desses últimos dois anos e concluírem a sua jornada”.

 

O caminho até o grande dia

 

Moradora do estado de Goiás, a aluna Edionara Oliveira dos Santos, de 46 anos, se inscreveu no processo seletivo para técnico de enfermagem no último dia do prazo. Na época, teve de correr contra o tempo para providenciar toda documentação necessária e conseguir a tão sonhada vaga no curso, que já havia tentado outras vezes. “Foi uma verdadeira emoção quando vi meu nome entre os aprovados”, conta.

 

Após o resultado positivo, mudou-se para Brasília e começou um novo caminho. “Tive que parar de trabalhar para me dedicar ao curso. Escolhi seguir em frente, apesar das dificuldades que enfrentei”, recorda a estudante.

 

O curso começou quando o mundo ainda enfrentava a pandemia de covid-19, e, nos primeiros três meses, as aulas aconteceram virtualmente. “Eu tinha muita vontade de começar as aulas presenciais, queria logo vivenciar a prática, estava ansiosa”, destaca.

 

Hoje, olhando para trás, pensando em todo caminho percorrido, a aluna que pensou em desistir diversas vezes, afirma ser muito grata, “sempre pensei em fazer a diferença, e agora me sinto preparada, com um olhar muito mais humanizado para o meu próximo. Estou com a sensação de vitória e dever cumprido”.

Perguntada se valeu a pena, ela diz que “ouvir os pacientes, a história da doença, ser acolhimento num momento de dor, faz valer toda dificuldade. A enfermagem precisa de devoção” finalizou.

 

Durante dois anos, os alunos vivenciaram diversas experiências em ambientes hospitalares, unidades básicas de saúde (UBS) e centros de atenção psicossocial (Caps). Isso para garantir que estivessem preparados nas múltiplas situações que enfrentariam no futuro.

 

Visitas técnicas aos centros cirúrgicos e médicos e às maternidades também fizeram parte de um roteiro extenso, com direito a relatórios entregues ao final do período. As aulas práticas, com orientação de docentes, no Hospital Regional da Asa Norte (Hran) e Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), eram pontos certos dos alunos que, se aproximavam cada vez mais da certificação.

 

Uma das docentes do curso, a enfermeira Laudelina Marques, sente orgulho em ministrar as aulas e diz ser “um privilégio, porque posso auxiliar o indivíduo que não teve a oportunidade de estudar enquanto jovem por diferentes razões, a amadurecer e perceber que, depois de adultos, serão capazes de transformar seu contexto socioeconômico, de seus familiares e de sua comunidade”.

 

À frente da Etesb desde o início dessa turma, o diretor da instituição Roberto Carlos Alves Louzeiro, destaca que “a formação desses técnicos favorece muito a rede pública de saúde do DF”. O gestor se diz realizado com a determinação dos alunos, que, mesmo diante de uma pandemia, não desistiram “nossa escola cumpriu o papel de formar profissionais competentes e capacitados para atender, principalmente, na nossa rede pública. Estão todos de parabéns pelo esforço empenhado e pela conquista alcançada”, concluiu.

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